11 de mai. de 2013

Psicodelia sessentista

1. Gênero favorito.
Rock, pop, folk e qualquer outro gênero que venha seguido de 'psicodélico'.

2. Qual é a banda e o respectivo disco que mais representa esse gênero?
13th Floor Elevators com certeza. Quando todo mundo ainda tentava ser psicodélico usando umas cítaras aqui e umas referências indianas ali, o Roky Erickson já chapava geral em 1966 e escrevia coisas mais obscuras e menos fofinhas. O disco deles que mais representa o que é rock psicodélico em sua essência (não só pela parte da chapação mas também em relação à parte espiritual e coisas mais sérias do que conseguir ouvir a grama crescer ou ver gnomos) é o Psychedelic Sounds. Em 66 o que que tinha de psicodélico? Pessoal ainda engatinhava e falava de coisas como 'nossa, usei maconha' (vide os singles de 'Day Tripper' e 'Rain', e o disco 'Revolver' inteiro, todos dos Beatles), e obviamente só fazia alusão, e o contexto era sempre subentendido. Roky Erickson ia além e falava abertamente de como era usar LSD em 'Reverberation'. É lindemais!

Olha essa capa!

3. Dez bandas que as pessoas deveriam ouvir além da listada no número 2.
Jefferson Airplane
The Doors
Blossom Toes
The Strawberry Alarm Clock
Pink Floyd
The United States of America
Mort Garson
The Chocolate Watch Band
The Move
Love

4. Dez músicas para tocar em repeat.

Jefferson Airplane - Somebody to Love

The Doors - Strange Days

Blossom Toes - When The Alarm Clock Rings

The Strawberry Alarm Clock - Incense and Peppermints

Pink Floyd - Astronomy Dominé

The United States of America - Coming Down

Mort Garson - Levae The Driving to Us

The Chocolate Watch Band - In The Past

The Move - Yellow Rainbow

Love - She Comes In Colours

+

13th Floor Elevators - Reverberation


5. 1966 ou 1968?
1968. A maioria dos discos legais foram lançados em 68. E toda banda ou artista já usava LSD mesmo, então basicamente era tudo psicodélico, até o pessoal que era do movimento mod deu uma chapada (como o The Who e os Les Fleur de Lys). E todo mundo já era mestre na arte de usar o carpete da casa da vó como roupa, todo mundo já manjava do que era ser underground a ponto de ser mainstream. Pena que no ano seguinte a psicodelia perdeu espaço porque todo mundo já estava de saco cheio (em parte, ouso dizer, por conta dos hippies, jesus freaks e hippies e flower children - ah, e os hippies também), e o estilo morreu. 1968 foi o ano em que saíram: White Album, dos Beatles; A Saucerful of Secrets, do Pink Floyd; Waiting for the Sun, dos Doors; Crown of Creation, do Jefferson Airplane; Odessey and Oracle, dos Zombies; o disco homônimo do The Move, o primeiro disco do Steppenwolf... Recomendo ver essa lista de discos do ano de 68, é gigante!


7. Sgt. Peppers ou The Piper at the Gates of Dawn?
Com certeza, o The Piper at the Gates of Dawn. Embora eu até goste do Sgt. Peppers (mas prefiro mil vezes mais o Magical Mystery Tour) o Piper tem mais do espírito lisérgico. Pra mim o Sgt. Peppers é muito mais experimental do que necessariamente psicodélico. Acho que em vez de usarem pacote de batatinha com pente pra tocar algo, ou só usar cítara e fazer referência à Índia, podiam ter feito uma jam instrumental pra galera dançar nos clubes quando estivesse chapada de LSD. O que basicamente o Pink Floyd fez. Os caras eram os reis dos clubes na época da Swinging London. E, o Piper tem bastante coisa que chega a beirar inocência infantil, especialmente porque o Syd gostava muito de estórias infantis, e essa era uma faceta da psicodelia, certo? Ser meio infantil porque todo mundo estava vivendo um momento que a vida era fofinha e existiam hippies chapadinhos com a nova era (ugh!) e flores e muito LSD. Enfim, os Beatles popularizaram e o Pink Floyd aperfeiçoou e fez mil vezes melhor. E quem não quiser concordar, sinta-se à vontade.


8. Vocalista do sexo masculino preferido.
Roky Erickson. Uma baita duma voz rouca que dava uns gritos muito bons.

You're gonna miss me, motherfuckers.

9. Vocalista do sexo feminino preferida.
Dorothy Moskowitz, do United States of America. Uma voz doce pra contrastar com as letras nada fofinhas da banda.

A mocinha logo abaixo.

10. Cinco discos que são bons do início ao fim (ou seja, da primeira à última música, são lindos e não tem como pular nenhuma delas sem se sentir culpado por não querer ouvir a que pulou).

Love - Da Capo (1967)

The Zombies - Odessey and Oracle (1968)

The United States of America (1968)

Pink Floyd - The Piper at the Gates of Dawn (1967)

Status Quo - Picturesque Matchstickable Messages From... (1968)

11. Swinging London ou Flower Power?
Swinging London, porque o movimento começou com os Beatles lá pelos idos de 65 e durou até quase que o fim de 68. E porque eu prefiro mil vezes a Inglaterra aos Estados Unidos e aquele bando de hippie sujo no meio da lama em Woodstock.


12. Quando comecei a ouvir e exatamente porque o gênero é tão importante pra mim.
Em 2002 eu comecei a achar que só ouvir Pink Floyd não bastava e passei a buscar por outras bandas usando como base pra pesquisa o All Music (que hoje não tem mais o Guide, pelo visto). Como cada artista tem uma lista de bandas que são parecidas, era só eu ir anotando e buscando. Naquela época a única maneira de ouvir algo era recorrer ao Soulseek, porque o Kazaa era só pra quem era louco e queria baixar vírus. O Soulseek foi a minha porta de entrada pra psicodelia, e até hoje tudo o que você procurar, acha por lá. Logicamente que de lá pra cá eu fui adquirindo muitos dos discos que consegui achar, em CD. E sempre que sobra uma grana eu compro mais alguns.

A psicodelia é importante pra mim porque foi através do gênero que fui moldando de verdade o meu gosto musical, sem influência de terceiros. Foi através da música psicodélica que meu amor pelos anos 60 foi crescendo e me fazendo ir em busca de outros gêneros que não fossem a psicodelia, como o soul, o folk, o pop e o rock de garagem. É com bandas psicodélicas que toda vez que minha vida está uma merda, ela fica um tanto menos cinza e um pouco mais colorida. Foi através dessa busca por bandas psicodélicas que eu eventualmente passei a ouvir The Dukes of Stratosphear pra logo depois dar uma chance pro XTC, e os caras acabarem virando meus gurus musicais. E é através do psicodelismo que meu projeto com o Eric Iozzi, a Bacchus, tornou-se algo concreto. Minha vida sem a música psicodélica provavelmente seria uma porcaria.


13. Finalmente, três motivos porque você deveria ouvir.
1 - A maioria das bandas e artistas dos anos 60 aderiu ao movimento, alguns sutilmente, outros insanamente.

2 - Foi na era da música psicodélica que muita coisa veio a acontecer: os artistas brasileiros tentaram dar voz aos jovens durante a Ditadura (vide Os Mutantes); as pessoas ao redor do mundo se revoltaram contra o establishment sem medo de sofrerem retaliações, e passaram a levar vidas que iam contra os padrões da sociedade (contracultura); a psicodelia é a mãe da música eletrônica moderna, especialmente no que diz respeito a artistas tocando em ambientes fechados para pessoas dançarem (e chaparem).

3 - A combinação de teclado fritando com guitarra cheia de distorção com vocal vomitando reverb é a coisa mais sensacional desse mundo.

Enfim, venha para o lado lisérgico da força e seja mais legal. Os cogumelos dominam.