9 de dez. de 2012

Eu e o XTC

Tudo começou naquele janeiro de 2003, num sebo. Estava eu lá procurando um LP pra comprar, sem ter nada em mente, nenhuma banda, e eis que me deparo com um disco diferente, uma capa muito colorida, tão psicodélica que fiquei maluca e o nome também era tão inspirador: Oranges & Lemons. Olhei o preço, estava barato, e ainda por cima era duplo (!), e com o dinheiro que eu tinha na hora dava pra levar. E foi o que fiz.

Cheguei em casa me esbaforindo porque tinha corrido de lá do sebo, que ficava a umas cinco quadras de casa, querendo muito ouvir aquilo porque devia ser a coisa mais foda com a qual eu já tinha me deparado até então. E lá fui eu, botar o lado A do primeiro disco pra tocar. Fui esperando algo mega louco, com teclado 'fritando', reverb, distorção e o que mais viesse de bônus. Porém era pop. Pop. Poxa! E além de tudo era um pop esquisito, parecia música de macumba com rock, tinha umas batidas nada a ver. Passei aquele lado A inteiro xingando, e no final guardei o disco no meio da minha coleção, pra depois de um tempo o pobre coitado ser jogado no lixo. Disse que nunca mais ouviria eles.

Em junho de 2004 estava no auge do meu psicodelismo pessoal, baixando todo disco que conseguia encontrar como se não houvesse amanhã. Um dia me deparei com uma tal The Dukes of Stratosphear. Pelo nome, a banda parecia bem legal e resolvi ouvir. E naquela semana devo ter ouvido umas cinquenta mil vezes. Ouvi tanto que naquela mesma semana eu consegui memorizar todas as letras, cantava até de trás pra frente se me pedissem. Mas descobri que eles eram na verdade os caras do XTC tirando um sarro do baroque pop dos anos 60. Fiquei meio chateada porque XTC não tinha graça, como que eram os mesmos caras? Não podia ser.

De tanto ouvir os Dukes, um dia resolvi dar uma chance pro XTC. Comecei a pesquisar resenhas e um monte delas diziam que um dos discos chamado Skylarking era um dos melhores deles. Decidi ouvi-lo. E foi uma surpresa porque todas as músicas pareceram muito boas. Tinha que ter algo errado com aquele verão de 2003 e o Oranges & Lemons. Curti tanto que peguei a discografia e fui devorando todos os discos (isso é possível?). Aí, chegou a hora do Oranges de novo. Mais uma vez me deparava com aquele disco de capa colorida e som de macumba pra roqueiro alternativo. Mas ouvi. E gostei. Pensei na teoria de que meus ouvidos não estavam preparados pra esse tipo de pop esquisito, que tem batida estranha e letra difícil de entender se você ainda tem um inglês intermediário. Eu era rebelde. Só que ao contrário.

Passou o tempo, chegou 2010 e 2011 e fui comprando tudo que conseguia achar na internet até chegar ao ponto de comprar edições diferentes de um mesmo disco só porque um tinha uma bag que era de uma cor e o outro de outra cor. Participei de leilões de lotes de LP no eBay. Foi o auge da minha vida como colecionadora de qualquer coisa. Tatuei o logo da capa do Oranges nas costas, já consegui entrar em contato com o Andy Partridge, já stalkeei o filho dele (que acabou que me deu bola por uns tempos), e coloquei como meta de vida fazer a Bacchus (minha banda) famosa e comprar os direitos que a Virgin Records tem sobre todo conteúdo do XTC e dar de presente pros caras. Acho que vim ao mundo pra isso. E ai de quem me contrariar.

7 de dez. de 2012

O ser mais especial da minha vida

Uma ligação da clínica veterinária pedindo pra ajudarmos mais uma gatinha que precisava ser amamentada e a moça dizendo que a bebê tinha sido largada lá naquele dia e que não parava de gritar. Minha mãe resolveu buscar, afinal coração de mãe sempre tem espaço, e um lugar em casa pra mais um.  E foi assim que me vi com uma gatinha com um problema neurológico sério (nasceu sem uma parte do cérebro), que não conseguia se equilibrar, andava a muitas custas com a ajuda da gente, segurando as patinhas dela, e dava pra ver nos miados e no olhar dela a vontade de viver. Mas ela não resistiu. Tudo que ela comia voltava, nada ficava na barriguinha dela, era tão desesperador pensar que ela ia embora... mas aí, ela foi. E no um dia e meio que teve o carinho meu e da minha mãe, espero sinceramente que ela tenha sentido que o amor era grande, e que a gente queria dar uma chance pra ela. E quando ela acordava, eu nunca sabia dizer se a cabecinha dela estava molhada de chorar, ou se era por conta de ela só se apoiar em um lado e acabar salivando demais... mas só de pensar eu chorava também. E era uma dor pior que a da depressão.

Durante esse um dia e meio ela conseguiu me fazer chorar como nunca chorei por ninguém, nem pela perda de outros bichinhos doentes ou parentes queridos. Acho que foi por causa do brilho nos olhinhos dela quando a gente prometeu que ia melhorar, ela por eu e eu por ela. Anteontem foi o primeiro dia que saí de casa sem medo, porque eu sabia que quando eu voltasse eu teria ela aqui de novo pra eu ajudar.

Ela se foi na madrugada do dia 5 pra 6, e a única sensação que eu tive foi de impotência. Eu não consegui fazer ela melhorar, e ela não conseguiu aguentar e partiu. Mas espero que onde ela estiver, saiba que eu daqui penso muito nela e sempre me pego chorando quando vejo as fotos dela na minha mão. Um bebê de alguns dias, que apesar da dificuldade tinha vontade de andar e de viver, mesmo quando a cabecinha pendia pra um lado e eu a segurava pra ela continuar, uma patinha por vez, subindo de mão em mão como numa escadinha. Embora ela tenha ficado só algumas horas nas nossas mãos eu consegui começar a melhorar. Por ela. Te amo demais, bebê. Que você saiba que por você eu resolvi mudar essa escuridão pra luz, e espero que a gente se encontre lá do outro lado pra eu poder agradecer esse um dia e meio em que você me mudou com toda essa sua luz. Vai com os anjos e vai em paz.
Meu amorzinho dormindo.

Ah, como você era linda.

"Quero que saibas que me lembro, queria até que pudesses me ver. És parte ainda do que me faz forte, e, pra ser honesto, só um pouquinho infeliz." 
Giz - Legião Urbana

15 de nov. de 2012

Acho que voltei de um sonho ruim

E esse ano a Carol resolveu cair. Porque se ela não caísse, algo pior teria acontecido. É mais um daqueles anos que tudo parece se voltar contra mim, e no tudo entram as emoções ruins e os sentimentos negativos.


Não sei bem o que foi que me fez cair de vez, só me lembro vagamente de em 2011 ter ficado com um menino, porque ele realmente era um - dez anos mais novo que eu. As férias vieram, eu fui adentrando meu mundinho mais e mais, e aí, assim como as férias passaram rápido, de repente lá estava eu de novo em meio ao pessoal da escola, fazendo workshop... Acho que a pressão do semestre anterior contabilizou com eu ter passado o ano de 2011 inteiro me sentindo uma merda e buscando meios de me sentir menos pior. Quando o semestre começou de vez, lá estava eu numa sexta-feira de fevereiro sem conseguir sair do lugar com a matéria que eu ia dar no dia na minha frente e eu pensando que diabos eu ia fazer naquela escola. A vontade era de nunca mais pisar lá, sei lá o motivo. De repente lá estava eu de novo com o pânico e a depressão de volta, me dando as boas-vindas outra vez.

Me afastei do mundo: trabalho, amigos, família. Dormia mais do que eu conseguia só pra não ter que precisar sair da cama. Fui tratada como bipolar por um dos psiquiatras e a medicação errada só cagou o problema todo mais ainda. E eu ouvia o 13 do Blur e chorava e nem tinha ideia de por que eu chorava, mas eu só conseguia fazer isso. Chorar ou gritar por passar as poucas horas acordada bem irritada. No meu imaginário passaram várias cenas de eu morrendo de várias maneiras diferentes. Mas nunca consegui ter coragem (ou seria covardia) o suficiente para dar o grande basta. Acho que é porque ainda sinto medo de morrer.

O ano voou. Aqui estou eu (ainda) levando a vida nas coxas, tendo que voltar ao trabalho na base da obrigação porque a vontade só me faz odiar o que eu faço mais ainda. E nessas eu fico pensando em meios de me boicotar e ficar na merda de novo, só pra não ver ninguém que eu não queira. Pensar na volta ao convívio com determinadas pessoas me faz querer ter a ousadia de pegar meus remédios e fazer uma misturinha especial só pra mim. Mas não vou fazer nada, já disse que sou covarde, né?

2012, um ano que podia nem ter começado. Um ano perdido, sem rumo, sem motivação, cheio de reclusão, desilusão, quedas, e eu caindo na triste realidade. Mas dizem que a realidade é que é ilusão, né? Vamos ver. Espero que o véu de Maya caia logo. Cansei de tristeza e amargor. Cadê meus dias de beleza e alegria?

21 de dez. de 2011

Resoluções idiotas que nunca cumpro versão 2011 - uma análise

- Continuar comprando os discos que quero em CD ou vinil; - Comprei uma pá de CD e alguns 'viniuzes'.
- Comprar uma vitrola; - Não comprei e nem vou.
- Tomar bala e ver os sons e escutar as cores; - Não tomei, nem vou.
- Tomar Santo Daime; - Tomei e foram boas todas as vezes. Saudade.
- Não ser assaltada; - Fui. Duas vezes, acho.
- Não me apaixonar por mais ninguém, só sair dando tapa na cara; - RERERRE sem comentários.
- Parar de tomar remédio de tarja preta que faz perder a memória; - Próxima.
- Ir numa rave e ficar de um dia pro outro sem morrer; - Nem.
- Fazer a meleca do sétimo furo na minha orelha, mas que ninguém me estapeie pra não infeccionar; - Fiz e infeccionou.
- Fazer mais tatuagens; - Fiz e não me arrependo.
- Comprar calça na Levi's (consumismo nota 1000); - Tentei mas o 34 deles é pequeno demais e o 36 um saco.
- Me deletar das redes sociais; - Migrei pro facebook. PRÓXIMA!
- Entrar pro celibato; - Hmmm, próxima.
- Cagar e andar pra Inglaterra e ir morar em Salvador; - Micareta em 2012.
- Mandar tudo pra puta que pariu e virar monja buddhista. - Tô quase lá, senhor Shiva.

17 de jul. de 2011

Talento nato

Para chegar no fundo do poço com pouco.

6 de jul. de 2011

See you

Well I know five years is a long time and that times change. But I think that you will find people are basically the same.

25 de jun. de 2011

Eu - parte 2

Facilmente deprimida, dificilmente satisfeita.

22 de jun. de 2011

Verdades cruéis

Nunca acredite em grandes demonstrações de afeto. 90% é só emoção momentânea, os outros 10% é que prevalecem a amizade toda.

11 de jun. de 2011

Coisas que não funcionam com a Carol

- Vai dar tudo certo.
- Não se preocupe.
- Você foi bem.
- Ele não valia nada.
- Eu não sou o homem certo pra você.

5 de jun. de 2011

20 músicas aleatórias

1. Simple Minds - Alive & Kicking
2. Shocking Blue - Venus
3. KC & the Sunshine Band - Please Don’t Go
4. Electric Light Orchestra - Last Train to London
5. Christie - Yellow River
6. The Breeders - One Divine Hammer
7. Pixies - Here Comes Your Man
8. When in Rome - The Promise
9. The Knife - You Take My Breath Away
10. David Bowie - Rebel Rebel
11. Depeche Mode - Strangelove
12. The Cure - Friday I’m in Love
13. New Order - Blue Monday
14. Lipps Inc. - Funkytown
15. The Chiffons - He’s So Fine
16. Tony Basil - Mickey
17. B-52’s - Legal Tender
18. Yes - Owner of a Lonely Heart
19. Dire Straits - Sultans of Swing
20. Men at Work - Down Under